Diretor da FAC reflete sobre o momento do Brasil

Caos e calmaria da greve

Nos dias atuais a greve dos caminhoneiros, que reivindicam o barateamento no preço do óleo diesel, desvela uma situação ainda mais escabrosa e de difícil solução: a elevada carga tributária do país, principalmente os impostos mais fáceis de serem recolhidos, embutidos no consumo, e que fazem os produtos custarem muito mais caro do que em nações desenvolvidas.

Uma pergunta emerge desta constatação: se um trabalhador americano ou europeu ganha muito mais do que um trabalhador brasileiro, então, por que os produtos por aqui são tão mais caros? Por que uma passagem de ônibus pode custar o mesmo que na Europa? Por que, em certos casos, vale mais a pena pagar uma passagem para ir a Miami do que comprar um telefone?

A resposta não é simples, mas tem algo de previsível: o Brasil tem um governo ruim e um empresariado ruim. E não de hoje, mas desde sempre.

Enquanto que nações que se desenvolveram preferiram apostar no aumento da renda dos trabalhadores, de modo a recolherem mais impostos sobre o trabalho e não sobre o produto, aumentaram também a produção, assim, o pouco de muito se tornou muito no fim da cadeia e com menos gente dependendo do Estado melhoraram as estradas, a educação e a saúde.

O empresariado moderno e desenvolvido preferiu apostar no consumo. Aumentando a produção ganharam no fim da cadeia, mas estabeleceram um sistema sustentável. Mais gente trabalhando, mais consumo; mais consumo mais trabalho e assim geraram o que em economia se chama de círculo vicioso. No Brasil, os empresários apostaram no lucro concentrado com o mínimo de produção e de esforço. Ganha-se o quanto se pode, ainda que seja uma única vez. Com o tempo nos deparamos com o eterno problema da falta de emprego, porque esse é o desfeche lógico de um mercado fechado e pouco produtivo. Os consumidores também não são dos melhores.

O país com os empresários visam o lucro fácil. São atrasados desde sempre. E, assim, sobre a matéria prima exportada, a União, os Estados e os Municípios se aproveitam para aumentarem a carga tributária que mantém sua paquidérmica estrutura de ineficiência e atraso. No fim, o “cidadão” vê suas chances e oportunidades se esvaírem neste colossal rio que corre para lugar nenhum, mas carrega com ele todos os sonhos e desejos de um dia deixarmos de morar em um país para vivermos em uma nação.

A greve, portanto, por limitar a locomoção transformou os dias comuns em feriados prolongados, ruas vazias e tranquilas para quem tinha gasolina no tanque. Mas, mesmo agora, com o resfriamento das manifestações e início do reabastecimento dos postos, o governo já anunciou o aumento de impostos sobre a folha de pagamento, de um país que está com metade de sua população desempregada ou na informalidade; outros impostos virão nos alimentos, nos remédios, na passagem de ônibus...., afinal, o Brasil é um dos poucos países do mundo que tributa até mesmo a cesta básica. Então podemos concluir que a calmaria produzida pelo caos desses dias ainda tende a se desenvolver num futuro próximo, pois mais impostos virão.

 

Prof. Dr. Lindomar Rocha Mota

Diretor da FAC

 

 

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